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Natal: o milagre da vida

Domingo, 25.12.11

 

Hoje é em todas as crianças que penso, o milagre maior da vida nesse menino que hoje adoramos. É essa a mensagem deste dia que nasceu assim cheio de sol, de um sol magnífico!

 

Gosto de metáforas e a natureza dá-nos as metáforas que fazem mais sentido: depois da noite misteriosa de ontem, noite tranquila e silenciosa, em que uma luz nos guia, rodeados de um amor maternal, abrangente e pacífico, nasce o dia, alegre e magnífico, virado para a vida vibrante e para o futuro.

Reparem na metáfora: noite misteriosa, tranquila e silenciosa - amor maternal e abrangente, que cria e aconchega; dia de sol, alegre e magnífico - vida vibrante e alegre, virada para o futuro.

E em relação à luz: nessa noite misteriosa é uma estrela longínqua que nos guia até esse lugar, para não nos perdermos no caminho, protectora como o amor maternal; uma outra estrela ilumina o dia que nasce, alegre e ousado, como são todos os meninos a querer conhecer o mundo e a sorver plenamente a vida.

 

Esta é a lógica da vida: o amor na origem da vida dá o impulso necessário para o futuro. É por isso que esta rotina anual, o Natal, pode ser estruturante, mesmo para os que gostariam de lhe escapar.

Se estivermos intencionalmente receptivos a olhar para nós e por nós próprios, amorosamente disponíveis para aprender alguma coisa de novo nesta vida que passa a voar por nós, vemos outra dimensão do Natal, a nossa própria dimensão. Todas as luzes artificiais a piscar e o marketing em inglês colado nas montras (be happy, life is good, I wish), todos os sons martelados nas lojas e corredores, todo esse vaivém de compras de última hora nos vai parecer um filme em que somos apenas espectadores. Tudo fica em câmara lenta como nos filmes, e sentimos o nosso próprio coração aquietar-se, a encher-se de uma alegria já esquecida, e os nossos olhos iluminam-se e adoçam-se, somos de novo essa criança virada para o futuro, cheia de curiosidade, generosidade e sonhos, mas também somos a mãe protectora e tolerante, que cria e aconchega para depois acompanhar de cada vez mais longe, e tudo volta ao seu lugar, chegamos a casa.

 

O milagre da vida é a mensagem do Natal. Viramo-nos hoje para um futuro possível, onde as crianças têm o lugar certo para crescer: protegidas e acarinhadas, e viradas para o futuro melhor possível para si, um caminho adequado à sua curiosidade, generosidade e sonhos. 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:26

O respeito por si próprio e pelos outros

Quarta-feira, 20.07.11

 

 

Nota de esclarecimento sobre o post original:  Este post, que foi desenhado num tom humorístico na altura e partia de uma polémica decisão da universidade Católica de impedir calções e chanatas nas aulas, acabou por ser um dos mais visitados d' as_coisas_essenciais. Talvez pelo próprio título que remete para questões mais importantes do que uma simples indumentária. O título é enganador, portanto.

Deixo, por isso, aqui alguns posts que escolhi especialmente para os Viajantes que aqui passarem, em que trato do tema respeito por si próprio e pelos outros na perspectiva cultural e comportamental, da coexistência e interacção entre pessoas e comunidades:

 

A nossa verdadeira naturezaViagem no tempo-espaço com um ramo de oliveiraA acção inteligente e consequente no caminho da autonomiaEmpatia e compaixão, a base da autonomiaO poder da palavra e As mulheres e o seu papel fundamental nos valores culturais de uma comunidade.

 

Quanto a questões de indumentaria, gostava também de esclarecer os Viajantes que por aqui passarem que, mesmo em relação a fatiotas já mudei muito de opinião: não na questão das chanatas nas aulas (há sandálias), mas na questão dos calções.

Quanto à indumentária na rua, quanto mais alegre e variada melhor. Quanto mais descontraída melhor. Uma sociedade já é tão constrangida mentalmente e culturalmente, já está tão formatada segundo modelos em photoshop e botox, que é refrescante ver pessoas reais, de carne e osso, de calções e chanatas a animar ruas tristes de portas fechadas de mercearias, livrarias e restaurantes de bairro. 

 

Como já aqui disse, a nossa percepção da realidade vai-se alterando à medida que vamos aprendendo com a observação e a experiência, como se a nossa consciência se fosse expandindo. Esta consciência abrangente já não se baseia na opinião deste ou daquele, em palavras, mas na colaboração de vários, na sua participação e na acção. É como se a nossa percepção da realidade conseguisse ver por trás da imagem outras imagens a sobrepor-se, ou ouvir a verdadeira mensagem a partir do que não nos é dito.

O mais importante passa a ser a nossa participação e colaboração, o que é preciso fazer?, e não a obediência acrítica e distraída a regras que estão obsoletas e nos limitam como pessoas e como comunidades.

Ultrapassamos a fase da necessidade de aprovação social (a imagem certa, o grupo de referência, os modelos de sucesso), e passamos a agir a partir da nossa consciência mais abrangente que se baseia na autenticidade, na tolerância, na colaboração, na autonomia.

 

Vivemos em plena fase de profunda transformação cultural: de uma cultura baseada na imagem, na palavra, no espectáculo, no poder, para uma cultura baseada nas pessoas, na acção, nas comunidades, na participação e colaboração. É uma nova cultura da colaboração através de comunidades inteligentes.

É este a verdadeiro respeito por si próprio e pelos outros, e são indissociáveis: as comunidades inteligentes respeitam a diversidade e a divergência na procura de melhores soluções. O que é preciso fazer?, passa a ser a pergunta-chave.

 

 

Post original: Aprendi desde muito cedo a escolher a fatiota para cada lugar e ocasião: há a roupa para estar em casa, há a roupa para sair. Em casa: há a roupa para dormir, para sair do banho, para andar por casa, para jardinar, etc. Fora de casa: há a roupa para ir trabalhar, e aqui depende da actividade e das normas do local de trabalho, para a escola ou faculdade, para ir ao supermercado, para praticar desporto ou actividades de lazer e de ar livre como ir à praia, ao cinema, ao teatro, a um concerto, jantar fora, etc. 

Mesmo que as fatiotas que vou adquirindo não sejam lá muito convencionais, não sigo a moda, escolho em função do mais confortável, roupa ampla, minimalista, sem acessórios, o que põe as minhas amigas de cabelos em pé, obedeço a esta regra geral: a roupa adequa-se à ocasião e ao lugar. Considero-a uma regra social básica: o respeito por si próprio e pelos outros. É por isso que não entendo esta reacção às normas indumentárias da Católica: uma universidade não é a praia. Não é implicar com as chanatas e os calções. É apenas bom senso.

 

Pessoalmente, não me agrada ver os homens de calções e chanatas, embirro mesmo. Provavelmente ainda vivo nos filmes dos anos 50, como me diz uma amiga japonesa, designer de roupa. A meu ver, um homem fica bem de calças e há calças leves para o verão. E nem pensar em chanatas, há sandálias abertas que escapam, embora prefira vê-los de sapatos e agora há sapatos muito leves e bem arejadinhos. De qualquer modo, talvez a minha amiga tenha mesmo razão: detesto ver um homem falar com uma senhora de mãos nos bolsos. Ou não se levantar quando uma senhora entra na sala ou lhe dirige a palavra. Ou não a deixa passar à frente. Só na questão de pagar as contas é que admito flexibilidade: à vez à vez, aceitar uma prenda se se pode retribuir de forma equivalente. Há equívocos que se podem evitar. Bem, acho que vou escrever um pequeno manual de etiqueta que corresponda a um compromisso razoável entre a elegância dos anos 50 e a autonomia actual das mulheres. O mais que me pode acontecer é ninguém o ler...

 

Resumindo: Calções são próprios para o desporto, o montanhismo, as escaladas, a piscina ou a praia. Chanatas são próprias para a piscina ou para a praia.

 

Só um à-parte: também na indumentária feminina tenho algumas regras muito pessoais, micro-saia no trabalho, só se for em instrutoras ou professoras de ténis, ginástica ou qualquer tipo de actividade que o exija, como as modelos, etc. Os decotes insinuantes a mesma coisa, são próprios para o lazer, não para o trabalho, adequam-se a festas, jantar fora, concertos, teatro, etc.

Já em relação aos teenagers, eles e elas, sou muito mais tolerante, e as minhas reservas prendem-se mais com questões de saúde: vê-los no inverno de sapatilhas, sem blusão, com decotes e a barriga à mostra, de mini sem collants, e à chuva... mas na adolescência o bom senso está um pouco ausente, pelo menos por uns aninhos...

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 08:42








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